Prêmio de Participação

 

 

PARTICIPANTES:

 

Socorro Lima Dantas

Ilda Maria Costa Brasil
Arthur Veronese Freire
Flavio Pinto Soares Filho
Gabriella Brodt Rama
Helena Medeiros Gehling
Henry Caiaffo Caldas
Kayron Torma Oliveira
Laura Bauer Silveira
 Lucas Borba Mallmann
Pedro Alibio
Efigênia Coutinho

Maria Tomasia

Roze Alves

Marcial Salaverry

Ervin Figueiredo

Yeda Soares Chiviacowsky

Raquel Ferraz Sokolnik

Luis da Mota Filipe

 Nivaldo Ferreira

Tania Regina da Silva Guimarães

 José Verdasca

Francis Raposo Ferreira

Lauro Kisielewicz

Aurora Bomfim Silva Souza

Rosinha Barroso
Luíza Benício
Eri Paiva
Helena Schors Lotti
Camila Lima Dantas

 

 

VERSÕES DE MIM...

Socorro Lima Dantas

 

 

 

Eu filha

estou ao seu lado da mamãe,

dedicando-lhe e declarando-lhe o meu amor.

 

Eu mãe

abençôo meus filhos,

suplicando a Deus pela felicidade de cada um.

 

Eu sogra

agradeço as gentilezas

e o amor dedicado aos meus filhos.

 

Eu avó

procuro a criança que há em mim

para falar a mesma linguagem da neta.

 

Eu amiga

Declaro a minha amizade, cultuo a lealdade,

e digo sempre a verdade.

 

Eu profissional do direito,

em defesa do cliente, busco a justiça

descrevendo os fatos, os fundamentos jurídicos e faço o pedido.

 

Eu ativista cultural

crio, recrio versos,

e sirvo de elo para desabrochar inspirações.

 

 Eu mulher

tento me encontrar através da poesia,

que me leva ao passado,

revivo o presente e sonho com o futuro.

 

Ah ! quantas partes há em mim !

Nem eu mesma sei,

porque as vezes sinto que nada sou

e fico a me perguntar:

Sou mesmo feita de pedaços,

ou me separei em fragmentos para ser eu ?

 

 

 

  

VERSÕES DE MIM

Ilda Maria Costa Brasil

 

 

Eu filha preocupo-me

com a saúde de minha mãe.

Eu mãe rogo

pela realização de meus filhos.

Eu sogra cultuo

a hospitalidade e a simpatia.

Eu avó sou afeto,

felicidade e encantamento.

Eu amiga preservo

a autenticidade e o respeito.

Eu educadora semeio o gosto pela leitura

e pela produção textual.

Eu ativista cultural incentivo

e divulgo a arte de escrever.

Eu mulher guardo sonhos

que espero realizar.

Oh! Quantas versões de mim!

Quem sou eu?

Sou tantas que não sei quem sou!

 

 

 

 

VERSÕES DE MIM

Arthur Veronese Freire

 

 

 

Desde pequeno, tento equilibrar minhas reações

como se fossem malabares.

Quando algum deles cai, não perco a calma,

apenas fico frustrado, expondo a minha parte negativa.

A oposta é totalmente serena e comportada.

De quando em quando, apresenta a perplexidade tão mal desejada,

que sufoca o interior e deixa a alma instável,

pois são tantas experiências e conhecimentos

para se absorver que é muito necessário a presença

em demasia as quais não devem ser manipuladas

e cair na gandaia, perfeita prisão do saber.

Evoluirei sobre o céu da maturidade,

mas o seu apogeu está distante.

Não hesito em segui-la porque jamais se recusou

a conduzir-me aos seus longos e sábios passos.

 

 

 

VERSÕES DE MIM

Flavio Pinto Soares Filho

 

 

Quando pequeno,

eu era maroto.

Na mesa, soltava arroto

e, à noite, pegava sereno.

Agora, que sou maiozinho,

não faço mais pirraças;

apenas brinco com meus amiguinhos,

seja na quadra ou na pracinha.

Cresci e estou adolescente.

Sou feliz sim;

apenas ando carente.

Odeio os adultos que acham

que não somos gente;

prefiro ser só inteligente a ser

um adulto que acha ser gente.

 

 

 

VERSÕES DE MIM

Gabriella Brodt Rama

 

 

 

Quando criança, fiz muitas artes.

Puxei o fio do rádio, que estava na tomada,

e minha mão ficou preta.

Noutro dia, estava eu brincando

com minha boia

e, sem querer, quebrei o lustre

que, por azar, caiu na minha cabeça.

Não aconteceu nada demais,

apenas fiquei com um galo na cabeça.

Agora, que sou adolescente,

não faço nenhum tipo de atividade,

só fico em casa, na frente

da televisão e do computador;

raramente saio à noite.

 

 

 

VERSÕES DE MIM

Helena Medeiros Gehling

 

 

 

Eu, Helena, quando criança, adorava viajar

para a casa do meu avô em Pelotas/RS.

Como qualquer criança, adorava ganhar presentes.

Naquela época, eu praticava esportes:

natação, ginástica olímpica e judô.

Fiz um ano de cada.

No colégio, fui sempre uma daquelas alunas

que pegava recuperações, mas sempre passei de ano.

Na adolescência, faço bastantes festas.

Quando dá tempo, vou ao cinema,

praças e viajar com amigos e família.

Amo demais minha família

e continuo viajando para Pelotas

para curtir meus avós.

Sou uma neta carinhosa e “puxa saco”, assim como

uma garota que sempre faz compras no shopping

e, de vez em quando, compra presentes

para os pais e para a irmã, que é mais nova do que eu.

Ela se preocupa bastante comigo,

quando estou doente, adora me cuidar.

No colégio, continuo a mesma.

Sou sonhadora, espero me casar e ter muitos filhos.

 

 

 

 

VERSÕES DE MIM

Henry Caiaffo Caldas

 

 

 

Eu, um adolescente com quinze anos,

considero-me bem vivido,

pois passei por vários momentos de dificuldades e de superações.

Adoro olhar para trás e revivê-las,

porque essas, cada vez mais, tornam-me mais forte e confiante.

Do que mais me lembro é do meu amor pelo esporte. Esse vem de anos.

Aos três de idade, já dava os primeiros chutes,

demonstrando interesse pelo futebol.

Aos sete, entrei numa escolinha de futebol,

destacando-me entre os demais.

Em seguida, fui chamado para o Grêmio.

Não deram duas semanas,

fui chamado para o “Projeto do Grêmio”,

onde comecei a disputar campeonatos.

Se já não fosse suficiente,

disputei um grande campeonato internacional,

consagrando-me como artilheiro

e melhor jogador do mesmo.

A partir disso, comecei a crescer,

cada vez mais, adquirindo muitas experiências.

Porém, por outro lado, dei-me conta,

que,ser jogador de futebol,

é uma das profissões mais difíceis de alcançar.

Atualmente, enfrento uma incerteza

de que muitos jogadores já vivenciaram:

serei eu um jogador profissional ou não?

Reconheço, humildemente, que jogo bem.

Às vezes, fico um pouco mal,

pois, ao contrário do que muitos pensam,

futebol é mais política e contato

do que, propriamente, jogar bem.

 

 

 

VERSÕES DE MIM

Kayron Torma Oliveira

 

 

Quando guri, era faminto por novas descobertas,

a curiosidade por esportes e brincadeiras eram gigantes.

Sempre fui determinado e dedicado.

Minhas notas não passavam da média;

porém, não ficavam abaixo.

Era um bom filho, gostava de comer de tudo,

mas brigava no colégio com os colegas.

A adolescência é a fase que estou vivendo,

cercada de experiências novas, muitos amores,

paixões, esportes e estudos.

É nesta margem de tempo que desenvolvemos

o nosso caráter e as características

que irão se manifestar na maior idade.

Muitas versões de mim estão sendo elaboradas

de acordo com os momentos

e novos fatos que vou vivenciando.

Eu, quando me encontro alegre, sou eufórico e extrovertido.

Meu cotidiano define minhas versões.

Quando atleta, sou esforçado e não desisto nunca;

encaro a dor sem reclamar.

Minhas metas são bem claras e não as deixo para trás.

Quando aluno, procuro ser sempre o melhor,

embora, muitas vezes, não alcance o sucesso desejado.

Como filho, sou carinhoso e atencioso.

Nossos pais são tudo o que temos e tudo devemos a eles.

As minhas versões são características muito pessoais.

Quando não me dou bem nas atividades que exerço,

não baixo a cabeça e recomeço a fim de obter êxito.

Tenho fé em Deus e sou guerreiro.

Minha versão guerreiro, procura nunca se entregar

às armadilhas da vida.

 

 

 

VERSÕES DE MIM

Laura Bauer Silveira

 

 

Tenho dezoito anos e sou uma garota de bom astral.

Considero-me estudiosa e as pessoas, de modo geral,

acham-me simpática, educada e agradável.

Adoro sair com os amigos, ouvir músicas,

assistir as novelas, ir a festas e ao cinema.

Às vezes, quando não consigo fazer algo

devido ao tempo, ou mesmo por não o ter entendido,

fico estressada e passo o dia pensando naquele assunto.

Quando pequena, frente a uma dificuldade,

corria e pedia ajuda a alguém.

Hoje, gosto e procuro fazer sozinha minhas tarefas.

Durante a semana, ocupo meu tempo lendo,

vendo TV e estudando; no fim de semana,

fico com o meu namorado curtindo a vida.

 

 

 

VERSÕES DE MIM

Lucas Borba Mallmann

 

 

Jogo futebol desde muito cedo,

por isso sou responsável

e tenho muito comprometimento.

Gosto muito de pagode,

ritmo este

que é o som do brasileiro.

O bom é que sei tocar cavaquinho

com todos os acordes.

Minha família é muito unida;

vemo-nos sempre e temos histórias lindas.

Independente de minha versão,

valorizo muito as amizades verdadeiras,

pois as falsas são sempre passageiras.

Para vivermos bem, temos que ter amor no coração

e fazermos as coisas certas.

Assim, não sentiremos dores

nem teremos decepções.

 

 

 

VERSÕES DE MIM

Pedro Alibio

 

 

Eu criança, era um guri muito curioso,

pois tudo que os adultos conversavam,

tentava entender.

Certa vez, num churrasco de família

com alguns amigos, os adultos falavam

e conversavam sobre assuntos

que eu não podia nem devia escutar.

O tempo todo, eu fingia não os estar ouvindo,

quando, na verdade, fazia tudo para os entender.

O ruim é que os adultos acham que nós, quando crianças,

Somos desprovidos de audição, nada escutamos;

logo, bonecos ou presas fáceis de serem enganadas.

Sempre que eu perguntava à minha mãe

sobre o assunto da suposta conversa,

ela dava uma enrolada e boba explicação,

acreditando que eu iria aceitar o que estava dizendo.

Tentava ser convincente em sua história, desconversando-me;

porém, eu não me deixava enganar.

Suas palavras nada tinham a ver

com o que eu queria saber e ouvir,

mas eu fingia que estar acreditando.

A moral das suas conversas era

que eu não devia escutar conversas entre adultos.

À medida que fui crescendo,

passei a transitar na realidade do mundo

que os adultos tentam nos esconder quando crianças.

 

 

VERSÕES DE MIM...
Efigênia Coutinho

 

Não vivo de versões
Tenho sim, meus versos
Que são meu anverso
Seguindo sem distorções.
 
Minha versão é poesia
Vezes com certa ousadia
Vezes encenando calma.
Lenitivo da minha alma

 
Minha versão é fantasia
Assim vou com alegria
Pela vida sempre aquecer.
Com olhos que posso ver
 
Saudade terna emoção
Na moradia do meu coração
Dos sonhos faço seresta
Para viver eterna festa!...
 
Maio 2010
New York

 

 

 

 

VERSÕES DE MIM

Maria Tomasia

 

 

Quando menininha,

eu era traquina.

No Grupo Escolar,

os meus coleguinhas,

gostava de provocar,

espetando-os com

a ponta do lápis,

quando a professora,

estava a se descuidar.

E, na saída, todos

ficavam, a me esperar...

Alguns mais velhos,

diziam que, de uma boa

surra, eu não iria me livrar.

Era um Deus nos acuda,

sozinha eu não saía,

ou meu pai ia me buscar,

ou, então, a professora,

pra casa, tinha que me levar.

Essas são as versões de mim,

que tenho para lhes contar,

às vezes sou menina,

que gosta de brincar,

outras vezes, mulher séria,

que se faz respeitar.

Com isso, não envelheço,

e a minha idade, ninguém,

jamais, conseguiu adivinhar !

 

19/05/10

 

 

Versões de Mim

Roze Alves

 

 

Não pareço ter crescido de fato

Deixado a menina lá atrás,

no meu feliz passado infantil

ainda pulo corda, chupo bala

uso rabo de cavalo, lambo picolé

visto bonecas, pulo amarelinha...

A noite rezo por todos, com muita fé

Lavo, passo, arrumo a cozinha

espero perfumada ao amado

Dou sugestões no trabalho diário

-compre outra saia, aquela de babado

Quantas tenho dentro de mim?

A forte, que briga, vira mandona

a mãe galinha, chocando sempre a cria

A que se comove à toa, uma chorona

cada situação, surge uma nova EU

Como se recriada fosse a cada dia

Essa aqui é a poeta, expondo emoções

me diga, você, gostou dessa versão?

 

Amanhecer-M

RJ: 19/05/2010

 

 

 

O ESCRITOR QUE SOU

Marcial Salaverry

 

 

O escritor é um ser humano,

sujeito às fraquezas,

erros e tudo o mais

que os seres humanos cometem,

e assim também sou...

O escritor ama,

e sabe falar do amor,

e assim tambem sou...

O escritor sofre,

e sabe falar disso,

e assim tambem sou...

O escritor protesta,

e sabe protestar,

e assim tambem sou...

Mas, o escritor também erra...

e sabe errar,

assim como eu...

Enfim, é um ser humano,

e sabe ser humano,

assim como sei e sou...

 

 

 

VERSÕES  DE  MIM

Ervin Figueiredo

 

 

As vezes tempestade,

Quando só a dor me invade,

Outra hora euforia,

Tudo por conta da alegria.

Também sou muito tristeza,

Quando alguém me despreza,

E sou todo felicidade,

Vivendo com simplicidade...

Já fui muito de solidão

Num vazio enorme no coração,

Quando percebi com amargura,

Que alguma coisa me cura

Se falado com muita verdade

Que o melhor é ter sua amizade,

Pra não ter no peito espinho,

Ser tratado sem carinho,

Fugindo de todo pavor,

Por ti sentindo amor.

 

 

VERSÕES DE MIM...

Yeda Soares Chiviacowsky

 

 

Eu criança, desengonçada,

moleca, vivia ralada,

brincando pelas calçadas,

era magrela e danada...

 

Eu a irmã mais nova,

ciumenta e muito arteira

pegava as bonecas da mana

e não sobrava uma inteira...

 

Eu na escola era atleta,

e só gostava de jogar...

Um dia, pensei na vida

e comecei a estudar.

 

Na juventude o amor,

chegou firme pra ficar,

depois do namoro, o noivado,

e deste, rumo ao altar.

 

Eu mulher, amiga e mãe,

valente e batalhadora,

trabalho e vivo feliz,

cantando, rindo e brincando,

e com vocês poetando,

falando um pouco de mim.

 

 

 

Versões de Mim

Raquel Ferraz Sokolnik

 

 

Num momento, sinto tudo sorrindo para mim,

tudo dando certo

e acontecendo como eu quero... como eu desejo.

No entanto, em segundos,

tudo muda

e percebo erros e erros

acontecendo embora eu não os queira...

não os deseje.

Odeio tudo e todos.

Oh, por que numa hora posso amar tudo e todos

e, noutra, quero mandar tudo para o alto?

Como desejo me entender

e saber o que dizer a mim mesma?!...

Quero ter tudo e o nada.

Quero entender-me

e me expressar com fluência e sabedoria.

Pensar... Pensar...

Pensar no que amo...

Pensar no que não gosto de pensar.

 

 

 

 

DE MIM

(Luis da Mota Filipe)

 

 

Eu…

 

Sou gaivota rasgando o céu,

Livre, solta, endoidecida,

Em busca de um sonho meu,

Duma enorme paixão vivida;

 

Sou o Rio, espelho d água,

Correndo sem me cansar,

Esquecendo a dor e a mágoa,

P`ra na foz do amor partilhar;

 

Sou papoila que se agita,

A bailar ao som do vento,

Amando este pais que grita,

Num poema: uma prece, um lamento;

 

Sou onda que se agiganta,

Na imensidão do mar,

Quando escuto: amigo canta,

Navego num fado a cantar;

 

Sou Serra guardando segredos,

Bosque de histórias e contos,

Desprezando mentiras, enredos,

Abraçando o mundo aos poucos;

 

Sou chama do Sol de verão,

Nuvem escura a desabar,

Um misto de emoção,

Ao partir e ao chegar;

 

Sou do tempo, intemporal

No espaço, esqueço a morada,

Um viajante imortal,

Uma alma apaixonada.

 

Sintra (Portugal)

 

 

 

 

VERSÕES DE MIM

Nivaldo Ferreira

 

 

Nos ígneos caminhos de minha mocidade

Busquei no amor, razões para a felicidade.

Perdi-me no laboratório do saber, e nestas encruzilhadas

De tantos caminhos bifurcos, e lágrimas derramadas...

Despetalaram em minha alma, paixões confundidas,

Amores que ficaram no passado, lembranças perdidas...

Mas, em mim também ficou a inefável marca do passado,

E que ainda hoje, atropela os meus sentimentos.

Pois a sua imagem linda e lírica navega em meus pensamentos.

Razões eu tinha para não perdê-la, mas, eu a perdi...

Perdi pelo medo, medo de não perdê-la. Estranho o que vivi...

Hoje, hoje vivo a realidade dura dos meus dias,

Sem muitas ilusões que temperam as emoções.

Em uma folha em branco, rabiscos as minhas poesias...

 

 

 

VERSÕES DE MIM

Tania Regina da Silva Guimarães

 

 

A Rainha das Rainhas

É mais do que uma princesa

com um príncipe...

É mais do que uma rainha

com um rei...

 

Seu reinado vai além do concreto,

da objetividade ...

Passa pelo abstrato,

pela subjetividade...

 

É feminino...

passa pelo sexto sentido

muito além da percepção

traduzido no poema

colorido na pintura

 

Traz a simplicidade,

a humanidade,

o sorriso,

o ouvir,

a sabedoria,

o afeto,

o respeito,

a entrega...

 

Não impõe condições,

nem diz o que fazer,

 

É soberana por saber

andar lado a lado...

compartilhar...

sem se perder.

 

 

 

VERSÕES DE MIM

José Verdasca

 

 

Sou espontâneo e rude, como a Natureza

Jamais deixo de dizer o que acho que devo

O que mais aprecio é a beleza

Que emerge de todo este enredo

 

Parte da beleza da poesia

Reside na franqueza-clareza

Como a que nos oferece o Sol do meio dia

Sem nuvens, da Mãe-Natureza

 

Sou direto, objetivo, sem "talvez"

Quem sabe se por ter nascido de um jato

Nascemos e morremos apenas uma vez

Essa é a versão, como é o fato

 

Prosa e poesia têm uma diferença

A primeira tem fala nua e crua

Que apresenta como sentença

O que a poesia apenas insinua

 

Sou como o Velho do Restelo

A prever desgraça na hora da partida

Mostrando, assim, o meu desvelo

Pelos que podem ir perder a Vida

 

E quando a desgraça aconteceu

E seus autores fogem, assustados

Vou tentar apagar o fogaréu

Para salvar esses desgraçados

 

Brasil - S. Paulo

 

 

Eu, por Mim

Francis Raposo Ferreira

 

 

Não venho de mim falar

Para enaltecer qualidades,

só me quero apresentar

ás minhas novas amizades.

 

Sou virgem de signo,

Com características inerentes,

Sou homem, sou menino,

Em circunstâncias diferentes.

 

Vivo de bem com a vida,

Mas já sofri desenganos,

Afinal recebi ordem de saída

Há uns bons cinqüenta anos.

 

Tenho comigo grande defeito,

Digo sempre o que sinto,

Se não gosto, nada feito,

Detesto hipocrisias e não minto.

 

Sou virgem, admiro a beleza,

Seja de uma linda mulher,

Ou uma paisagem da natureza,

Sem beleza não sei viver.

 

Posso parecer enigmático,

Não faço nada para o disfarçar,

Sei que não sou antipático

E sentimentos gosto de respeitar.

 

Os meus cabelos meio grisalhos

Podem ter vários significados,

Vivências, amores, trabalhos,

basta serem bem interpretados.

 

 

Os meus olhos cor de mel,

São alvo de alguma atenção,

Sou amante e amigo fiel

Que não sabe viver sem paixão.

 

Amo a poesia, a vida, os meus,

família,  amigos e a lealdade.

Amo e respeito a Deus,

Amo o valor da sã amizade.

 

Muito mais haveria a dizer,

Mas eu, mais não arrisco.

Deixo que sejais vós a perceber

Quem é este vosso amigo: Francisco.

 

Portugal

 

 

 

VERSÕES DE MIM

Lauro Kisielewicz

 

 

Em dado momento, sentei-me à beira

de meu próprio caminho... sozinho...

Como se a um filme assistisse,

silenciosamente refletisse,

sobre tudo que meu pai me disse,

para que eu sempre melhorasse,

e por mais que minha mãe esforçasse,

na escola eu pouco ou nada rendia,

muito vagarosamente aprendia,

por vezes a mesma série eu repetia...

Nem por isso meus muito amados pais,

desistiram de acreditar que eu seria

quem sabe um dia, alguém de valor,

e deles que em bens quase nada possuíam,

e do pouco disponível alegremente usufruíam

e souberam preencher-me com seu amor,

orientando-me a respeitar para ser respeitado,

mostrando-me a vereda a ser percorrida,

para suportar bem as agruras desta vida,

e hoje nos meus sessenta anos,

entre lutas, vitórias, quedas e tropeços,

sem ter como retornar ao antigo começo,

sei das dores e prazeres que mereço,

sei bem de quem me compadeço,

às pessoas muito simples dou maior apreço,

mesmo da dor, pouco me aborreço,

e busco sempre não olhar para trás,

sigo em frente, sempre aprendendo mais,

por obra e graça de meus amados pais!

 

 

Versões de mim
Aurora Bomfim Silva Souza

 

 

Sou filha do campo
Criada arredia
Em casa de taipa
De piso batido.
Cresci feito corça
Tão livre na roça
Na lida de tudo
Ali, aprendido.

Não era chegada
À labuta de casa
Pouco cozinhava
Ou fazia faxina.
Preferia roçar
Goivar, plantar
Muita massa peneirar
E um eito de capina.

Minha grande façanha
Era trepar em árvores
E isso, fazia
Como ninguém.
Era como se fosse
O meu passatempo
Um lazer arriscado
Embora, eu fosse além.

Parecia cabrita
Em cima das cercas
Fazendo delas
Uma passarela.
Quando apanhava
Água no poço
Matava o tempo
Passeando por elas.

Nem atentava
Para o perigo
Constante nas "artes"
Que eu sempre fazia.
Mas, eram momentos
De entretenimento
De pura adrenalina
E ingênua alegria.

Não havia censura
Que me desse tento
Nem mesmo diante
De um correão.
Sendo muito mais forte
O instinto agreste
Que boas maneiras
Impostas a sermão.

Meu jeito arteiro
Venceu a carranca
Em vez de bronca
Um sorriso escondido.
Diante do fato
De ser tão arisca
Delicadeza, para mim
Não fazia sentido.

A noção de fineza
A mim, tão distante
Em meus pensamentos
Nem mesmo existia.
Fazia, a meu modo
A felicidade
Que a liberdade
Do campo trazia.

 

 

VERSÕES DE MIM
Rosinha Barroso

 
 
Em mim existem algumas mulheres
Uma faz do amor uma melodia
Outra busca na vida os prazeres
Tem aquela que é guerreira de todo dia
 
Mais outra que acha ter o poder
De sorrir quando quer chorar
Gritar quando deveria apenas falar
Ou mostrar o sol quando vai chover.
 
São versões de mim em uma só
São degraus que devo subir
Eliminando facetas sem dó
E outras procurando aplaudir.
 
Salvador/BA
25/05/2010

 


 
VERSÕES DE MIM
Luíza Benício

 
 
Acho que não mudei muito desde criança...
Acredito em mim, acredito nas pessoas
Procuro entendê-las mesmo que me decepcionem
Acredito que erro muitas vezes
Que repito erros quando não devia
Por ser desligada, distraída,
Talvez negligente...
 
Esqueço fácil o desentendimento
Mesmo que sejam cruéis
Mas ultimamente devido talvez a minha idade
Começo a evitá-los, cortando ou diminuindo
Relacionamentos que não me trazem paz!
 
Não é por ódio, nem por pirraça
Não sinto qualquer falta
De pessoas muito certinhas, conselheiras,
Que só no que escrevem tentam convencer os outros
E na prática, não são verdadeiros!
Falam muito de amor e plantam o ódio!
 
Procuro ter minha consciência tranqüila
E admito que tenha erros a consertar
Na minha personalidade
Na minha maneira de viver em grupo
No meu escrever, sentir, falar...
Sou mais humana que santa
E erro mais que acerto!
 
 


 
VERSÕES DE MIM
Eri Paiva

 
 
Quanto de alguém se pode saber?
Às vezes muito ou um tantinho assim...
Aos que querem  mais me conhecer,
Escrevi Versões de Mim.
 
Faz-me bem  estar com a natureza,
Sentir o cheiro de mato molhado,
Descansar o corpo na relva fresca,
Apreciar o chorinho de um regato.
 
Relaxa-me o infinito azul do céu,
E a tranquilidade do imenso mar,
Relaxa-me ainda o brilho das estrelas,
Ah!!! E a chuva fria, no seu gotejar!
 
Encantam-me todas as  crianças,
As flores, em seus vários matizes,
As amizades, ternas esperanças
De acolhimento a nos fazer felizes!
 
Embala-me a alma e coração
A música  que não resisto a dançar,
Os ternos beijos da pessoa amada,
Toda a beleza de um feliz amar.
 
Alegra-me  o viver de cada dia
Os filhos bons, dóceis e amorosos,
Família unida, plena de harmonia,
Quatro netinhas, meus botões de rosa!
 
Agradecida sou ao Deus que me criou
E que me fez chegar a esta idade...
Sustenta-me a certeza do seu amor,
Sem Ele é ilusória qualquer felicidade.
 
Em 23. 05. 2010
 
 


 
VERSÕES DE MIM
Helena Schors Lotti

 
 
Há quem diga que, às vezes, sou teimosa;
noutras, amável, simpática e afetiva.
Minhas irmãs dizem que sou louca;
minhas amigas que tenho características
marcantes, fortes e importantes.
Na escola, há quem me ache especial;
meus pais falam que sou tímida e carinhosa.
Eu, sinceramente, vejo-me, em algumas ocasiões,
como uma pessoa retraída para fazer amizades;
noutras, direta e verdadeira.
Só o tempo me dirá como realmente sou.
Neste exato momento, sinto-me emotiva e sentimental;
Logo, para conhecer minhas versões,
sempre será um mistério a desvendar
por mais que façam parte de minha vida.
 
 
 


 
VERSÕES DE MIM
Camila Lima Dantas

 
 
São tantas versões em mim,
Que fico a me indagar,
Mesmo sendo tão jovem,
Vivendo o início da adolescência
E já guardo algumas versões.
Às vezes reparto meus pensamentos,
Refletindo que sonhar é viver aquele momento
Pela beleza daquele tempo,
Que eu queria guardar e viver para sempre.
Outras vezes, caminho pela realidade,
Mas eu gostaria que fosse apenas um sonho,
Porque eu não desejaria viver daquela forma:
Triste, melancólica, sombria,
Igual a um dia de chuva
Para que eu pudesse mudar
O destino dos meus pensamentos
E seguir a minha vida,
Cheia de alegria e felicidade.
 

 

 

 

 

 

 

 

 

Copyright © 2007, Socorro Lima Dantas - Todos os direitos reservados.
Publicado: 13.01.2007  Última atualização:  09.01.2012

Webdesigner:  Sonia Orsiolli